Conselho Nacional das Populações Extrativistas debate cenário e propostas para eleição presidencial

A última semana do mês de julho traz uma agenda importante de discussões políticas e socioambientais para o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). Nos dias 26 e 27 de julho, acontece a reunião do Conselho Deliberativo do CNS. Já no dia 28, a direção da entidade inicia a participação no 10º Fórum Social Pan-Amazônico. Ambas as programações acontecem em Belém, no Pará.

Com a retomada da reunião presencial do Conselho Deliberativo, a direção executiva do CNS vai debater a conjuntura política nacional e internacional, os retrocessos socioambientais, as violações dos direitos humanos a povos indígenas e populações tradicionais extrativistas. A análise da conjuntura política do Brasil, levando em consideração o resultado das eleições presidenciais em outubro, também terá destaque nessa programação.

Nesse sentido, o secretário geral do CNS, Dione Torquato, explica que serão levados em consideração três cenários: um primeiro com a reeleição do presidente Bolsonaro, um segundo levando em consideração a eleição de Lula e este contando com o apoio do Congresso Nacional, além de um terceiro prevendo um cenário sem essa adesão do Congresso ao ex-presidente.

“Vamos trabalhar nossas mobilizações de massa, fortalecendo o processo de conscientização política, além de orientar, sempre que possível o comprometimento de uma agenda junto a parlamentares, ou no âmbito do Executivo, que tenham compromisso com essa agenda socioambiental. Trata-se de uma resolução e o que devemos eleger nessa reunião do Conselho Deliberativo”, explica Dione Torquato.

“Estrategicamente será a oportunidade para animar, mobilizar e recomendar os líderes do CNS empenho e participação nas eleições nos seus Estados e territórios, na estratégia de apoiarem candidaturas comprometidas com as comunidades extrativistas para as assembleias legislativas estaduais, Câmara dos Deputados e Senado Federal”, destaca o presidente do CNS, Júlio Barbosa.

Além disso, durante a programação o Conselho Deliberativo do CNS vai reafirmar a luta em defesa dos direitos da juventude e da mulher extrativista, dos territórios de uso coletivo, dos modos de vida, da biodiversidade e da sociobiodiversidade.

Fórum Social Pan-Amazônico

A 10ª edição do Fórum Social Pan-Amazônico, marcado para acontecer de 28 a 31 de julho, também terá a participação dos membros do CNS.

Na programação, destaca-se o Seminário “Múltiplas Ameaças ao Território e a Vida dos Povos e Populações Tradicionais na PanAmazônia, Lutas e Resistência para o Bem-Viver”, com a participação e organização dos movimentos sociais do Brasil (CNS e Contag), Bolívia (Instituto para el Desarrollo Rural de Sudamérica – IPDRS) e Perú, no dia 30.

“O Seminário articula-se para debater a justiça climática inclusiva a partir das nossas cosmovisões, das salvaguardas e dos nossos territórios; o fortalecimento da economia extrativista da sociobiodiversidade e o enfrentamento das ameaças da mineração ilegal, dos madeireiros e do crime organizado que vem atingindo diretamente os direitos de viver nos territórios”, explica o presidente da CNS.

De acordo com Dione Torquato, o debate caminha na direção do fortalecimento do modo de vida das comunidades, suas práticas sociais e comunitárias, a sociobiodiversidade e as medidas para diminuir a fragmentação comunitária e garantir o processo de unidade da Aliança dos Povos da PanAmazônia na  articulação política das organizações sociais do Brasil, Bolívia e Perú.

“O sentimento é fortalecer no imaginário das Amazônias e na prática social das organizações sociais que é possível lutar por uma outra Amazônia e um outro mundo, sem à grilagem de terras públicas, invasão de garimpeiros, exploração ilegal dos recursos da biodiversidade e a violação dos direitos humanos de povos indígenas e populações de comunidades tradicionais”, conclui o secretário geral do CNS.

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