Extrativistas participam da passagem da tocha olímpica pela Amazônia

Extrativistas da Amazônia participaram na última semana da passagem da Tocha Olímpica por estados brasileiros da região Norte.  A Tocha passará pelas cinco regiões do país, até o dia 5 de agosto, quando ocorre a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã.

*com informações do Gobo Esporte

 

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No Acre, Raimundão passa a chama olímpica para indígena, representando as populações tradicionais do País

Raimundo Mendes, conhecido como Raimundão, é um dos maiores ícones ativistas da Amazônia. Primo de Chico Mendes, ele viveu os conflitos entre seringueiros e fazendeiros na década de 1980, que causaram a morte de vários amigos e, em 1988, do primo. Ao lado de Chico Mendes, ajudou a criar uma das maiores reservas extrativistas do país, em Xapuri (AC), com quase 1 milhão de hectares. Hoje, aos 70 anos, trabalha em sua área dentro da reserva e continua na luta por atividades alternativas de renda que possam frear o aumento da pecuária e do desmatamento na Floresta Amazônica.

Filho do acreano Manoel Vieira da Silva e da cearense Raimunda Barros, nascido no seringal Nova Esperança, na zona rural de Rio Branco, a história de Lorismar Barros, de 52 anos, se repete, assim como a de milhares de conterrâneos que trabalharam nas florestas amazônicas. Mas agora, como ele mesmo denomina, terá seu “dia de glória”. O seringueiro é um dos condutores da Tocha Olímpica durante o Revezamento em Rio Branco, capital do Acre, na terça-feira (21).

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Lorismar Barros, seringueiro acreano que conduzirá a Tocha Olímpica (Foto: Nathacha Albuquerque)

Mais do que contar sua história, o seringueiro quer manter a cultura e agora contar para os netos e bisnetos o dia em que carregou a Chama Olímpica. Questionado se já praticou algum esporte ele é rápido ao responder: as caminhadas diárias foram longas dentro das matas.

– Quando a gente é novo, corre muito e quando você trabalha com seringa, anda ainda mais, pelo interior da mata, apressado. Isso já é um esporte (risos), ali você está se exercitando todo dia, é um treinamento. Quando recebi este convite, foi uma honra, pois tudo aquilo de sofrimento que eu passei está se transformando em um dia de glória. Quantas milhares de pessoas querem ter essa oportunidade que Deus deu a mim. Então estou muito honrado e feliz, em contribuir e dar essa lembrança, para os meu netos e bisnetos. Pode ser que jamais ocorra aqui de novo.

No Amazonas, a chama olímpica passou pela Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, onde vivem cerca de seis comunidades indígenas e ribeirinhas. Apesar do atraso de quase três horas, ela foi recebida com alegria pelo curandeiro pajé da etnia dessana, Raimundo Kissib Kumu Vaz, escolhido para ser um dos condutores da tocha. Um ritual indígena com o sagrado fogo olímpico foi feito em uma oca no meio da floresta.

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Manoel Cunha, do CNS, conduziu o símbolo da paz representando a garantia da floresta em pé para as presentes e futuras gerações de extrativistas

Já em Manaus, Manoel Cunha, tesoureiro do Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS e natural da Comunidade São Raimundo, na Reserva Extrativista do Médio Juruá. Manoel só conheceu a capital do estado aos 26 anos de idade e tem uma trajetória consolidada na luta pelos direitos dos povos extrativistas. A partir de julho, Manoel Cunha assumirá a gestão da Resex no Amazonas.

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